A fonte da juventude

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O dr. Xerxes de Toledo Jr.

O culto à beleza e ao corpo parece ter atingido níveis máximos. Muitas pessoas recorrem à cirurgia plástica, às vezes até mesmo antes da hora da necessidade. Isso tem gerado aberrações, como as próteses exageradas de mama, bochechas ou lábios imensos, enfim, tem gente querendo tudo e alguns médicos fazendo tudo também.
Para tentar entender o que está acontecendo, fomos conversar com o cirurgião plástico Dr. Xerxes de Toledo Jr. Com uma carreira de mais de 25 anos, ele também é especialista em Medicina Estética, em Geriatria e Gerontologia, tem o título de Mestre pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP, e é presidente da Associação Médica Brasileira e Latino-Americana de Rejuvenescimento e Longevidade, entre outras coisas. Além de atender em outros lugares, ele tem uma clínica de medicina estética (R. Trípoli, 92, 12º andar, conj. 124, telefone 2373-7303), onde nos recebeu para um bate-papo enorme e muito proveitoso, do qual destacamos uma parte na entrevista que você lê a seguir.

Quando é hora de fazer uma cirurgia plástica?
Ela não tem uma hora, ela tem um momento, uma indicação. Existem procedimentos que são eminentemente cirúrgicos, por exemplo, a cirurgia de nariz, a cirurgia de redução de mama ou colocação de implante mamário, ou a cirurgia de redução do avental abdominal. Tudo isso não se corrige sem o procedimento cirúrgico. Tanto para homem como para mulher, porque estamos falando de cirurgia plástica estética, não de cirurgia plástica reparadora.

Mas são muitas cirurgias desse tipo?
Hoje, esses tipos de cirurgias são feitas em grande número: o Brasil é o terceiro do mundo. Em primeiro lugar está os Estados Unidos; segundo, a China. Segundo estatísticas americanas, em 2009 foram feitas aproximadamente um milhão e meio de cirurgias nos Estados Unidos, a China entre perto de um milhão e trezentos mil e o Brasil em torno de um milhão.

Por que a China faz tanta plástica?
Eles fazem muitas cirurgias estéticas. É uma tradição chinesa e, obviamente, devido a imensa população chinesa, o poder aquisitivo que possuem, além dos médicos chineses serem bastante competentes.

Qual a cirurgia campeã?
De mama. Aumento e implante mamário, principalmente implante.

E a mulher que chega com aquele “pneu” minúsculo e já quer fazer uma lipoaspiração?
Em primeiro lugar, lipoaspiração não é tratamento para redução de peso, é para gordura localizada. Hoje, a Medicina tem recursos para tratar a gordura localizada sem a necessidade de um tratamento cirúrgico. A lipo tem princípios de utilização que só ela resolve para gordura localizada, como abdômen, onde o resultado é mais rápido. O médico não faz milagres, é necessário que o paciente entenda que ele tem que fazer a parte dele.

Qual o cuidado ao fazer um tratamento para beleza?
Qualquer procedimento que for realizado em uma pessoa que estiver ligado à área da saúde, não importa se é curativa, preventiva ou estética, deve ser sempre acompanhado por um médico. Sempre. Estamos convivendo e vendo todo e qualquer lugar com placas ou panfletos fazendo redução de gordura localizada. Isso é charlatanismo puro. Somente um médico tem a convicção, a autorização, a legalidade para fazer esse diagnóstico, a prescrição e o tratamento.

Tudo é vaidade ou necessidade?
Hoje em dia a preocupação com a imagem não está ligada só à vaidade feminina, não. Está ligada a uma necessidade pessoal e profissional. A aparência é tudo. Muitos que me procuram, homens e mulheres, precisam e necessitam manter um ar mais jovial. É a própria questão de concorrência do mercado. Mas também existe um culto à vaidade e muitas vezes as pessoas se esquecem da parte interna. Não adianta cuidar somente da parte externa, do rótulo. Tem que cuidar da parte interna. Não adianta fazer peeling, cirurgia plástica, botox, preenchimento, mesoterapia, se o organismo não tem uma circulação boa.

Melhor mesmo é começar de dentro pra fora?
Hoje existe um avanço monumental na Medicina, do qual eu faço parte, que é a medicina anti-aging. No Brasil, não existe essa especialidade oficialmente, mas um dos tópicos principais dessa medicina é a modulação hormonal. Após exame de saliva, conseguimos dar ao paciente uma qualidade de vida muito melhor com a reposição hormonal, que se chama modulação hormonal, através de hormônios bioidênticos e não mais através de hormônios sintéticos. Tanto para homem como para mulher, e não necessariamente na menopausa. Nossa população vive um processo de degeneração celular devido às condições ambientais, como a poluição sonora, do ar, os alimentos industrializados.

Com a modulação hormonal a pessoa fica ideal?
O mais próximo do ideal possível. Quando o paciente chega ao consultório e é um tabagista, por exemplo, minha preocupação com relação a ele sobre a saúde e a sua recuperação é sempre mais cuidadosa. Porque esse vício compromete a respiração e a circulação, os tecidos corporais não têm a mesma irrigação sanguínea de um paciente não tabagista. A resposta ao tratamento vai ser totalmente diferente.

Parecer jovem é o sonho de todo mundo?
A pessoa tem que se parecer o mais jovem possível dentro de um parâmetro de naturalidade. Eu, no consultório ou na clínica, sempre digo às minhas pacientes que eu não faço procedimentos onde os resultados não vão ser bons, ou seja, naturais. Não adianta pegar um paciente com 60 anos de idade e deixá-lo com o corpo ou a face de 18 anos. O que vai haver não é uma transformação e, sim, uma deformação.

Mas o que faz alguns médicos fazerem isso num paciente?
Olha, é difícil julgar o médico propriamente dito, até porque envolve ética, mas muitas vezes eu já me deparei com pacientes no consultório que querem de qualquer jeito fazer os procedimentos, que você vê que não vão ter um bom resultado, que forçam demais a situação.

Cite algum exemplo.
Cirurgia exageradas: preenchimento, ou botox, ou peeling, que vão resultar num produto final ruim. Muitas vezes os pacientes continuam tendo uma posição de vida ruim porque são fumantes, estão com excesso de peso, sem atividades físicas, não controlam a pressão arterial, não controlam o açúcar do sangue, e assim por diante, então é todo um contexto.

O médico não deveria ser mais rígido e falar ‘olha, não vai ficar legal’?
Eu concordo. Eu acho que deve haver, por parte do profissional médico, um esclarecimento, uma moderação e um limite. Porque esse limite está ligado inclusive ao nome dele como profissional. Os conselhos regionais e federal de Medicina estão em cima de cirurgias e de qualquer procedimento não ético. Eles não estão passivos. Isso faz com que o profissional corra o risco de perda ou suspensão do registro, ou advertência pública, ou advertência sigilosa junto aos órgãos profissionais. É uma questão até de risco da população: profissionais não médicos, e até de outras áreas, estão se aventurando a fazer procedimentos médicos como se fossem especialistas em atividades exclusivas de médicos.

Melhor sempre se informar antes sobre o médico?
Claro. Mas lembre-se de que a Medicina não é uma ciência exata: existem problemas semelhantes e resultados totalmente diferentes. Por isso a Medicina é uma das ciências mais completas que existe no universo, o corpo humano é muito complexo.

Sua palavra final sobre beleza.
Acho que a busca pela beleza e felicidade está diretamente ligada à qualidade de vida. E quando falo em qualidade de vida, não significa viver bem com o espelho. É preciso estar bem psicologicamente e com sua saúde também. Hoje em dia existem muitas pessoas sofrendo lesões ou até perdendo a vida procurando uma forma fácil de se chegar ao impossível. Hoje vivemos mais? Sim. Com uma qualidade de vida melhor? Não. O que a gente vê é uma quantidade muito maior de pessoas doentes. A Medicina está conseguindo prorrogar a vida, mas não dá qualidade de vida. Temos uma saúde curativa ou prorrogativa e não uma saúde preventiva.

www.doctorxerxes.com.br

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