Exemplo de generosidade

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Foto: Gerson Azevedo

Gerson Azevedo
Neuza pratica a generosidade não só no Natal

A lapeana Neuza Braga Berti é daquelas pessoas que se dedica aos que têm menos e precisam mais. Esse hábito foi passado por sua mãe e ela transmite aos filhos e netos.

É Natal e é uma época onde as pessoas ficam mais sensíveis em ajudar pessoas carentes para que elas tenham um final de ano melhor.

Mas tem aquelas pessoas que não se limitam a fazer o bem somente nesta época do ano. Um exemplo é Neuza Braga Berti, a nossa entrevistada.

Nesta conversa, ela explica como faz para ajudar as pessoas durante todo o ano. E também no Natal, é claro.

São ações voltadas para crianças e idosos. Isso é muito importante e reflete positivamente na vida dos que recebem essa ajuda, sem dúvida. Através de alimentação, roupas mas também em afeto.

Para Neuza o importante é ajudar o próximo em todo o ano. De família católica, hoje ela é espírita, Neuza organiza esse trabalho assistencial “desde quando eu era mocinha. Minha mãe ia duas vezes por semana em um orfanato na zona Norte para cozinhar para as crianças. Ela levava os mantimentos e eu ajudava também. Foi um bom aprendizado que dei sequência”. Esse hábito de ajudar aos mais carentes foi passado pela mãe mas também pelo pai, que foi motorneiro de bonde “fazia a linha Centro-Lapa-Anastácio e muitas vezes transportou o Conde Matarazzo!, lembra ela que muitas vezes acompanhou o pai em seu trabalho pela cidade.

A primeira campanha que Neuza organizou foi em 1958 quando era funcionária da loja Clipper que foi famosa na cidade e fechou décadas atrás. “Era inverno e com ajuda de colegas de empresa, parentes e de fornecedores da loja, arrecadamos cobertores. Eu e as amigas tricotamos inúmeras tocas de lã que também doamos para as famílias de uma favela que estavam necessitadas, e passando frio, principalmente as crianças. Essa foi a primeira campanha que organizei e nunca mais parei”. Ela só deixou o trabalhar quando casou com o marido Hugo. Mas ações para ajudar as pessoas continuou a fazer.

Neuza e as sacolas que serão doadas para as crianças
Neuza e as sacolas que serão doadas para as crianças
Por anos, Neuza, a família e os amigos promoveram e participaram de várias campanhas para arrecadar donativos para o orfanato em Pirituba onde a mãe prestava ajuda como voluntária. “Por anos fizemos várias campanhas mensais com a ajuda de voluntários além de festas infantis, compra de mantimentos e outros benefícios ao orfanato que fechou em 2017”.

Ela conta que organizou inúmeras festas para crianças (Dia das Crianças, Páscoa e Natal) no sítio que a família tinha nos arredores de São Paulo e que foi vendido anos atrás. Junto com a família e amigos de um centro espírita mantêm uma ação que organiza almoço aos domingos para moradores em situação de rua. “As marmitas são distribuídas na região da Lapa e no centro”, informa.

Outra ação que mantem ativa durante o ano todo é de auxílio à comunidade indígena dos pataxós da aldeia localizada próxima do Pico do Jaraguá e faz visitas com seus amigos e parentes.

A atual campanha de Natal que Neuza está organizando pretende entregar no próximo dia 15 de dezembro, pelo menos 30 sacolas com roupas, calçados, brinquedos, livros e doces para crianças de uma comunidade carente de Embu das Artes. É umas parceria com o Centro Espírita Frei Carneiro Aguiar (R. João Pereira, 47, Lapa). “O padrinho e madrinha recebe as informações da criança – nome, idade, número de calçado e roupa — que será presenteada para criar um elo fraterno entre eles”.

Através dos nomes da sua agenda telefônica, ela liga para os amigos convidando-os a apadrinhar uma criança. “Não uso celular ou zap-zap. Faço tudo pelo telefone e busco os padrinhos e madrinhas e eles indicam outras pessoas para também fazer parte desta campanha para as crianças”.

A família sempre apoiou e colaborou com esse trabalho de Neuza. O marido, o economista Hugo (falecido em 2013) também fazia parte da equipe de uma maneira mais discreta, conta ela. O casal teve três filhos: Hugo Neto, Márcio e Eduardo; e também é avó de seis netos. Marcio, o filho do meio, é advogado e criou e preside o UniDown, instituto voltado para o atendimento de adultos com síndrome de Down. O trabalho acontece nas dependências do União Fraterna, na Rua Guaicurus.

Para ela a Lapa é o melhor lugar do mundo. “Na Lapa a gente tem tudo!”. Faz compras no Mercado da Lapa, no Sacolão da Lapa, na feira da Catão, e vai com a família saborear na Famiglia Lucco.

Neuza avisa que precisa de padrinhos para as crianças. É só ligar para 3672-8674 (N.R. na edição impressa o telefone publicado está errado!) e falar com ela. (GA)

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