Vic Meirelles, as boas energias das flores

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Foto: Tiago Gonçalves

Tiago Gonçalves
O bazar de Vic Meirelles na Real Flores fica aberto até o dia 21/12

O decorador e florista Vic Meirelles é uma referência quando o assunto é festa e eventos. Nesta entrevista, ele conta sua trajetória profissional e sua ligação com a Vila Leopoldina.

Vic Meirelles é daquelas pessoas agitadas e que fazem várias coisas ao mesmo tempo. Para entrevistá-lo é preciso paciência. Em um só tempo ele fala à reportagem e dá instruções aos seus colaboradores sobre como quer a organização da loja temporária, que instalou em parceria com a Real Flores, na Vila Leopoldina e que fica aberta até 21 de dezembro. “Mas pode ser que a gente continue por mais algum tempo”, informa.

vic meirelles17-DL-DEZNo espaço que Vic define como sendo “um bazar de desapego” tem peças que ele trouxe de viagens, de seu acervo pessoal e de parceiros. A ambientação é bem cuidada e cheia de detalhes, valorizando as pequenas e as grandes peças. Gamelas de madeira que trouxe da Bahia ganharam decoração com plantas suculentas. Arranjos florais, peças de decoração, mesas de madeira, poltronas, lustres, telas de artistas, produtos de sua grife (sabonetes e velas artesanais), lustres e também guirlandas de Natal. “Na entrada tem o espaço das flores vendidas em buquês e no espaço maior coloquei minhas ‘tralhas’”, explica. Com esta loja temporária Vic pretende atende a outros clientes. “Quero diversificar minha clientela e atrair pessoas mais jovens, sem abandonar minha clientela tradicional, que eu chamo de alta costura do arranjo de flor”. Ele se diz contente com os resultados até agora. “Estamos atingindo as metas estabelecidas e poderemos prorrogar a temporada”, comenta.

vic meirelles10-DL-DEZFormado em Arquitetura, Vic diz que sempre gostou de trabalhar com decoração, flores e plantas. Ao sair da faculdade quando fazia estágio, conheceu o trabalho de Ronaldo Maia, decorador brasileiro radicado nos Estados Unidos. “Passei a copiar o estilo dele”, conta. Diz que quando chovia, ele ia até as ruas dos Jardins e se abastecia de galhos caídos das árvores. “E depois, com criatividade, esses galhos se transformavam em decoração e ambientação”, diz.

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Entre 1989 e 1991, Vic foi para Londres para trabalhar com os floristas ingleses Robert Day e Caroline Dickenson. Ao voltar ao Brasil, em 1991, resolveu “virar gente grande e registrei meu nome, comprei meu fax e abri minha empresa”. Uma viagem ao Egito em 1996, com escala em Amsterdam, fez com que ele conhecesse o potencial do mercado de flores da Holanda e da Bélgica.

Dono de estilo próprio, não tem medo de revelar que se inspira em outros artistas. Atualmente, “minha paixão é o japonês Azuma Makoto, que esteve recentemente fazendo uma exposição na Japan House.”

Revela que sempre que pode viaja pelo Brasil em busca de novidades. Recentemente esteve em Itacaré, cidade ao Sul da Bahia, e de lá trouxe muita coisa. “Troncos de madeira que se transformaram em lindas mesas ou objetos de decoração. Petecas coloridas, gamelas e objetos feitos com casca de coco e tecidos…”, vai mostrando à reportagem e ao mesmo tempo arruma um arranjo de flores.

A ligação com a Vila Leopoldina tem mais de 18 anos. “Quando vi que precisava de um espaço maior para meu trabalho, quis estar próximo ao Ceagesp. Então aluguei um galpão na Avenida Imperatriz Leopoldina e fiquei por dez anos. Aqui, na Rua Aroaba, estou há oito”. Para ele, a Ceagesp ainda é um centro importante de abastecimento de flores e plantas, mas por conta de sua estrutura e consumo, “recebo a maior parte das flores e plantas que utilizo nos meus eventos diretamente dos produtores de Holambra”, revela.

A clientela famosa, entre eles, Adriane Galisteu, Fernando Henrique Cardoso, Marta Suplicy, Vic conta que é fruto de tempo e muita dedicação. “Não é fácil se destacar neste meio. Tenho muitos ‘vicquetes’ [como ele chama os seus imitadores]”. Casamentos é uma das suas especialidades e lembra que viajou duas vezes para a França para organizar o casamento relâmpago do Ronaldo Fenômeno e Daniela Cicarelli. “Fiz eventos para mais de 3 mil pessoas e tudo ficou perfeito”, diz com orgulho e sem falsa modéstia.

“Quem não tem dinheiro, serve pinga. Quem tem dinheiro, serve champanhe” é uma frase que repete com bom humor. “Na verdade, o bom gosto não está diretamente ligado ao dinheiro. Fiz festas onde usei bombons Sonho de Valsa ou bala Chita!”. Seus trabalhos, não raro, são citados em matérias de publicações voltadas para leitores mais abonados como Vogue, Joyce Pascowitch, Casa Jardim.

Flores e decoração para ele é “um estado de espírito! Decorar uma mesa, não importa a ocasião, é um ritual e traz boas energias para a casa e para as pessoas. Seja uma rosa colocada em um vaso bonito. É chique! É uma demonstração de cuidado com as pessoas que estão à mesa!”

Real Flores & Vic Meirelles, Rua Aroaba, 197, Vila Leopoldina, Telefone 3831-5795, www.vicmeirelles.com.br

 

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